sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Análise do Livro: A Grande Rebelião, de Samael Aun Weor

Pois bem, em mãos por indicação de um amigo para que eu pudesse conhecer melhor o universo do gnosticismo. O livro de nome A Grande Rebelião, de Samael Aun Weor, escrito em 1975 tem como base o pensamento Gnóstico, que é uma corrente de pensamento filosófico-religioso, e reflete sobre a sociedade e o homem de hoje e suas desilusões e problemas.

Devo admitir que antes de começar agucei meu paladar crítico e comecei a leitura fazendo anotações e revisões.

A princípio, pensei como seria possível um pensamento ser elaborado em apenas 65 páginas, mas não dei muita atenção a essa observação e continuei.
Logo no início observasse a desconstrução até que de forma coerente dos paradigmas sociais, como a vida, a realidade, a liberdade, entre outros.
O autor utiliza-se de comentários científicos sem mencionar dados, fontes ou qualquer referência, cita eventos relacionados ao processo de 'destruição' ambiental do nosso planeta e profecia sobre "(...)Antes do ano dois mil, será quase impossível encontrar uma praia onde alguém possa banhar-se com água pura.", lembrando que o livro foi escrito em 75 e estamos em 2011. Falho, assim como diversas outras 'profecias' ao longo do livro.
Encontrei trechos extremamente contraditórios como quando o autor acusa alguma anomalia no sistema social e estrutural da nossa sociedade dilatando a evolução e os problemas de auto conhecimento do homem como motivo disso, e porém utiliza-se constantemente como já citei de fatos não confirmados por fontes e referências, científicos. Ou seja, mesmo idealizando sobre os defeitos dos caminhos tomados ele utiliza-se dos próprios recursos que critica, o que indica uma falta de conteúdo.

Ao continuar pelo livro o autor continua com uma série de desconstruções de conceitos, o que indica uma certa referência a Kant, porém a certo ponto quando aborda o tema liberdade e realiza desconstruções simples, sem muitos fundamentos filosóficos ele comete um terrível erro de conhecimento (irônia, já que gnosis significa esta palavra em grego), no seguinte trecho: "(...)Estou seguro de que nem sequer Emmanuel Kant, o autor da "Crítica da Razão Pura" e da "Crítica da Razão Prática", jamais analisou esta palavra(...)". Pra quem quiser saber e ler os dois livros citados acima não definem a liberdade porque a própria concepção dos mesmos é a definição de liberdade.  Kant influência o que o Gnosis prega, que a experiência gera o conhecimento e o livro é baseado exclusivamente nessa idéia porém o autor se perde em desconstruir a liberdade sendo que o conhecimento para a autonomia é a formação de liberdade. Pensamento esse fundamental no trabalho de Kant; porém omitido talvez propositalmente no livro.

Agora, para mim vem a máxima do livro:
Na passagem: "(...)Karl Marx elaborou sua Dialética Materialista com um só propósito: "criar uma arma para destruir todas as religiões do mundo por meio do ceticismo(...)"
Senhoras e Senhores, amigos e amigas. Fica aqui a minha indignação, essa tanta que me dá tristeza. Neste ponto do livro larguei a seriedade e parti para a ignorância.
Infelizmente e propositalmente o autor não entende e nem quer entender o pensamento de Marx, levando-o a uma disputa religiosa, pois afirma também a opção religiosa de Marx. Tratando de um pensamento não excludente, que valoriza o conhecimento e a experiência, como, me digam como, um autor pretende relacionar essa frase, essa posição com o que se pensa na doutrina do gnosis?
Pessoalmente não defino Marx por sua opção religiosa, mas sim pelas suas idéias valiosas, porém que causaram e ainda causam desconforto a muitos. Mais uma vez e impresso, o pensamento de Marx é concretizado: Burgueses e doutrinas religiosas de um lado, trabalhador e plebe do outro. Dialética Materialista é nada mais, nada menos que a linha de pensamento que considera todo o ambiente como um estudo, no caso, social. Exemplo rápido e prático: O gerente, que ganha mais, precisa do funcionário, que ganha menos para continuar a ganhar mais. Leiam artigos e livros relacionados que vale a pena. Ou seja na lógica são interdependentes. No caso das religiões o pensamento marxista condena-as assim como a filosofia, a política e a economia, porém esses três últimos podem ser utilizados de outros modos, como ferramentas de alienação do Estado e defende o fim da religião. No caso hoje temos também a mídia que é o novo messias.

Enfim, o livro continua no mesmo padrão porém minha vontade de 'gnosis' sobre gnosticismo diminuiu até a barra de rolagem ser abaixada ao máximo.
Não temos aqui nada diferente, apenas mais um modo de 'confortar', apenas mais uma vertente do que já conhecemos, muito mais esotérica e oculta, o que gera maior estranheza e falsa diferenciação. São idéias que comparam-se a qualquer igreja evangélica de esquina, acusando com palavras de efeito, filosofia barata e desconstrução sem solução aparente.
É o mesmo que ler um Augusto Cury. Na verdade me lembrou e muito. A diferença é o apelo científico e do conhecimento que nada mais é do que uma isca magra já que nada de concreto e científico nos é apresentando, além de coisas óbvias e sem aprofundamento. Algo novamente contraditório para alguém que 'pregue' o conhecimento. Se as vivências fossem mesmo vivênciadas o livro não teria 65 páginas. Vivência é livro de Ferréz, Sérgio Vaz, Saramago e tantos outros.
Na minha classificação com todo o respeito: Não perca seu tempo e vá ler um (outro) livro.

Bom é isso pessoal quem quiser o livro eu disponibilizo em: A Grande Rebelião - Samael Aun Weor



Boa noite.

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