Na cena três amigos, uma pequena sala, uma mesa.
Sentados a horas, chateados pelo tédio e pela fumaça do cigarro insistente no ar sem movimento.
Meia garrafa de conversa fora, derrubando o sistema e os governos mais de dez vezes nas palavras, convencendo um ao outro de que viver daquele jeito ainda era heróico ou como dizem, poético.
Sentiam a nostalgia de alguns momentos passados, sentiam o rodar do ponteiro do relógio.
Um deles o mais jovem podia sentir o gosto do tabaco rigoroso na boca, quando abriu-a e disse:
- As vezes eu me esqueço, de que eu sou um playboy otário!
Ninguém se pronunciou após aquilo. Nada precisava mais ser dito.
Talvez todos os anos de conversas, ideologias e planos na verdade se resumiam naquela frase, naquela depressão.
Estavam vencidos antes de começarem a guerra, lutaram por algo perdido, assim como o fizeram muitos antes deles, mas por alguma razão que ninguém explica, todos sempre acham que farão a diferença, ou que apenas viverão com diferença.
Naquela noite eles entenderam pela primeira vez, que a anomalia também faz parte do sistema.
E isso lhes davam calafrios só de pensamento.
Se despediram e nunca mais desde aquele dia se encontraram novamente.
Dizem por aí que algum estudante de alguma faculdade de esquerda citou um deles em alguma manifestação banal. Talvez seja isso. Talvez a idéia persista, consumindo-se da vida de quem a cria.
Porque quem idealiza nunca consegue todas as respostas precisas e isso é pior do que a imperfeição, para tais paladares 'pensantes'.
As noites são portanto, de forma estranha, sempre iguais.
Esse blogueiro tá virando roteirista?!
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Uma camera no centro de uma mesa circular... girando em torno de si mesma numa velocidade constante... a iluminação seria fixa, mas partindo do centro da mesa também (talvez de cima, como nas mesas de poker nos porões americanos).