sábado, janeiro 31, 2009

O descascador de batatas.

Hoje foi um dia produtivo, quer dizer, nao foi o mais produtivo de todos, mas alguma coisa adicionou e fazia tempo que um dia normal nao adicionava algo nessa minha vida aqui.
Acordei doente. Muito doente. Passei mau e mesmo assim fui trabalhar.
E no trabalho, desanimado que so eu, me lembrei de mandar um oi pro Alejandro que me pediram. E fomos descascar batatas...

A Teoria do Descascador de Batatas.
Cada batata tem um formato, uma casca e um tamanho, assim, cada uma tem sua dificuldade e tempo para ser descascada e nenhuma ao final do processo esta igual ao formato e tamanho inicial. O que faz pensar que cada uma representa um dia no calendario do descascador. Os dias nunca sao iguais, comecam parecidos mas conforme a gente vai descascando ele vai tomando uma outra forma, um outro tamanho. Alguns demoram para ser descascados, outros passam rapidos e nao existe forma alternativa para descasca-los senao um por um. Vivendo dia apos dia. Passo por passo. Ao final voce volta para sua rotina de sempre, que acaba se tornando enjoativa, o que faz pensar: "Ah! Como eu queria estar a descascar batatas!" Eh... a vida, e as batatas.

Tudo tem uma conexao, ou em primeiro ou em segundo plano.
Descobri que a minha ansiedade que sempre me perseguiu desde que eu tenho meus 9 anos, pode ser sintoma de uma doenca, isso mesmo, uma doenca que precisa de remedio anti-depressivo e tudo mais... incrivel o que voce descobre quando menos espera! 

Tem uma frase que nao sai da minha cabeca toda vez que certas coisas, aqui, acontecem, me fazendo lembrar de muita coisa que me movimenta: "Ja diziam os Chineses: Cuidado com o que voce deseja!" Eh... a vida, a ironia.

As vezes eu acho que a vida eh so mais um jogo sem graca de ironias desavisadas.

Volto Logo...







*saudade de um que me chama de "Meu garoto!", de outra que chora toda vez que eu vou e toda vez que eu volto e do que nasceu 4 anos depois de mim. Aquele que eu escolhi o nome.


quinta-feira, janeiro 29, 2009

O dia triste.

Hoje o dia nasceu triste, talvez na real ele nem tenha nascido. Talvez o dia esteja com tanta 
preguica que apenas se espreguicou e voltou a durmir.
Qual o problema? A dadiva de nao fazer nada, de nao querer nada nao se enquadra aos Deuses e aos astros? O sol nao tem descanso? O sol nao tem a experiencia deliciosa de ter um dia de mau humor?
A razao esta escondida nas malas de retorno precoce de uns 2 que partem hoje, mais uns 3 que partem amanha, e nas almas daqueles que ficam querendo partir. Nao vale o merito de estar ruim ou bom, de preencher as espectativas. Mas no merito de que aprender com a distancia eh a forma mais forte que existe, eh uma tatuagem que voce aprende a amar por cada dor proporcionada no ato de realiza-la.
O teste principal nao eh vendido no pacote, nao eh especulado na partida. A avaliacao que separa os que vao ate o fim, dos que voltam no caminho. E esses nao sao os perdedores, nesse jogo nao ha perdedores, porque querendo ou nao voce aprende a sua licao. Querendo, ou nao.
Eu to aprendendo a minha. Todos os dias. E sei que quando eu voltar a conquista da euforia vai ser sensacional e eu saberei que valeu a pena. Porque a questao eh: Quando voce esta dentro do problema voce nao sabe se no fim ele valera a pena. Mas eu imagino que sim, eu espero que sim.
Assim sereno vou caminhando mais um dia. Mas hoje esta chovendo entao ficarei durmindo. Com o sono pesado de um desejo que ainda demora a se realizar, vou aprender a contar o tempo da pior forma possivel, que vendo ele nao passar.

Cambio, desligo.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

A valsa

Eh como se fosse uma questao espacial
A tua essencia na tua ausencia
me lembrando certamente do que vou cuidar
Que se parece ate com uma questao especial
Os nossos nomes, mesmos signos
eu achando imperfeicoes so pra continuar
Vislumbrando o que me vale em memorial
preocupacoes, chantagens musicais tao risonhas.

Sao as cores debaixo dos teus olhos
Misterioso arco-iris na tua franja
Sao as cores debaixo dos teus olhos
Misterioso mundo semelhante

Entendo que a vida eh de movimento
nao espero dobrado, olhando ao relento
a tua esquina finalmente recuar
E assim soubesse que a vida para de rolar
e tudo que se clica, se congela, tras de volta a nossa antiga 
valsa.

Te vejo do meu palco, beijo a tua alma com meu braco
e danco parado no lugar.


New single.
by Me

sábado, janeiro 24, 2009

E Agora?

Estou vendo um moinho de vento, caminho na escuridao que meus proprios olhos criaram
para nao verem um futuro promissor, para o bem e para o mau.
Nada permanecera intacto,
ah! quem dera!
Porem, com a simples comparacao com a previsao,
do tempo que as vezes erra 
com relacao a chuva que neva, 
e ao frio que derrete,
posso me sentir confortavel em pensar que desde o primeiro olhar, 
o fim da historia haveria de mudar,
diversas vezes numa mesma noite, numa mesma cor.
O salto de olhos fexados me convence 
que a vida nao eh feita de altos e baixos,
mas de quedas e paraquedas.
Ao pular a gente perde o folego, nao sabe direito pra onde vamos, tudo fica nublado
e acelerado. Por alguns dias, meses ou anos nao pensamos em nada alem de aproveitar e deixar 
a queda terminar. E um dia a queda termina e tudo fica claro, novos pensamentos, a gente aprende o que aconteceu, a gente se pertuba com a simplicidade. 
E nesse momento tudo faz mais sentido
ate a previsao errada de que quem pula tem uma grande porcentagem de nao voltar.
A vida parece muito mais pratica quando estamos em queda livre.
E assim me encontro, desdo a algumas milhas por hora em direcao ao solo, nao sei como sera 
a minha volta, se havera alguma. Sei que preciso aproveitar sem pensar e tentar ser logo apos um melhor ser humano, capaz de errar e ser errado.
Essa eh a nossa dadiva,  esse eh o nosso legado.
Os nossos medos sendo ultrapassados.

"Aqui quem fala eh Lucas Silva e silva...Aqui quem fala eh da Terra!"

Bom Dia Terraqueos!

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Temperatura: 27F

Senhoras e Senhores!
Hoje fez um frio cortante, senti o vento entrando nos meus musculos e o pior, perdi o busao de volta denovo e fiquei 2h no ponto congelando literalmente!
Mas falando do meu trabalho, percebi que eu gosto dele realmente, nao sei ainda porque, mas eu me sinto bem trabalhando ao lado de pessoas tao diferentes de mim, e alem do mais eu dou muita risada com as peripecias alimenticias diarias!
Analiso todos os dias as diferentes figuras que comigo trabalham:
Cecile: Filipina engracada por seu proprio jeito, serve de materia de risos e imitacoes. Me ensina uma expressao a cada dia na lingua falada nas Filipinas( nao sei o nome ).
Alex: Iugoslavo frio e calculista, mas eh tao bobo dando risada que parece ter problema. Me ensinou o pouco que eu sei agora sobre cozinha, restaurante e etc. Tem cara de quem sofreu pra chegar aonde esta e com apenas 28 anos. Gosto dele, apesar de ser mais de LUA do que qualquer outro Lug do mundo.
Joe: Manager, conhecedor do mundo, esperto, tolerante, o cara manja muito de tudo e tem uma visao de mundo que me faz ouvi-lo diariamente. Me sinto bem em chama-lo de amigo. O mais engracado eh a voz de poderoso chefao dele.
Amanda: Chata e Implicante, outra manager irma do Joe. Mas depois que eu mostrei servico ela parou de falar e agora so fofoca.
Dimitru e Igor: Maldovia! Voce conhece esse pais? Nem eu. Os caras pode ser traduzidos como a figura daquele pais igual a parte do filme "EuroTrip" aonde eles tem 1,60 dolares num pais quebrado no leste europeu e isso vale milhoes. Dimitru so erra os pedidos, e o Igor acha que manda, mas o pior eh o ingles dos ditos cujos. Obs: Hoje eu conheci o filhinho do Dimitru e a sua querida, deliciosa, linda, escultural, magnifica esposa. Eh mancada eu sei, mas o cara eh feio e a mulher parece uma modelo. Preciso ir pra Maldovia! haaa!
Alejandro: Esse eu tanto a dizer a respeito que nao me vem nada concreto. Alejandro eh um Guatemalo que tem cara de indio peruano, mais baixo que eu, mais novo que muitos, mas com uma expressao tao cansada que parece ser idoso. Essa cansaco eh facilmente explicado pela sua vida que talvez seja um tanto quanto sofrida. Ele eh um retrato do povo oprimido pelo sistema, excluidos da realeza capitalista. Nao sei mais quanto mais eu ando por aqui, mais tenho a certeza de qualquer pessoa, ate mesmo eu, tenho menos valor cultural, menos heranca de raca que o Alejandro. Sabe quando parece que todos o tratam com do, pena, mas realidade ele eh o mais valioso de todos. E deveria ser visto e entendido como tal. So sei que ele eh uma figura que me faz pensar todos os dias. Afinal em nossa primeira conversa descascando batatas ele me perguntou se eu tinha vindo de aviao para os EUA, apos a resposta afirmativa, ele se espantou com o suposto preco e eu espantado pelo espanto fiz a mesma pergunta a ele. Ele respondeu negativamente, veio de carro pela fronteira, ilegal ou nao, eu nao sei, nao tive coragem de perguntar. Ele eh o que mais trabalha no restaurante, faz tudo, sabe tudo, lava tudo, so nao sabe o ingles, talvez por isso goste tanto quando vou ajuda-lo na cozinha falando meu portunhol que eh muito melhor que o espanhol falado pelos outros do restaurante. Vejo ele como um exemplo de tudo aquilo que eu sempre li, e vi na televisao. Ele nao veio aqui pra comer BicMac, ele veio pra sobreviver. Sempre que chego digo Oi para todos, menos para Alejandro, com ele eu grito sempre bem alto: " Como estas mi amigo Alejandro? ". Nas primeiras vezes confesso que ele nao respondia, ficava acho que assustado, mas agora quando eu chego ele vem e me fala em alto e bom som: "Como estas Lucas de Brasile?" Sinto que conquistei tua confianca mais do que qualquer outro no restaurante, pelo simples interesse e facilidade de comunicacao. Sem duvida dei mais atencao a ele, e fui retribuido. Acho que faz todo o sentido conhece-lo melhor do que aos americanos, ele se parece mais comigo, ele se parece mais com os brasileiros. E por falar nisso, percebi que nos brasileiros temos mais em comum com o resto do mundo do que com os americanos. Sabe aquela velha historia de que brasileiro eh copia barata de americano, ou tenta ser? Mentira! Comecando pelo arroz e feijao que os filipinos adoram tanto quanto nos ate os carros manuais que aqui sao raridades. Sabe tenho orgulho de verdade em ser brasileiro, e mais ainda, de nao ter nada a ver com os americanos. Nao que eu nao goste deles, longe disso. Mas eu achava que muito tinhamos em comum, e na verdade a unica coisa em comum eh a de que somos diferentes.
Enfim, "finito" como diria Alejandro!

Magandang gabi! para a America!

Magandang umaga! para o Brasil!





quarta-feira, janeiro 21, 2009

First Impressions of the Earth

So agora, no auge dos meus 19 aninhos (bem vividos) tenho a percepcao de que aprendi mais nesses 39 dias do que em 18 anos ( No Brasil me sentia velho, aqui me sinto novo...)
Percebi que eu gasto dinheiro pra caralho, e que poderia ter mais do que tenho se tivesse percebido isso antes.
Percebi que trabalhar nao eh a pior coisa do universo, se voce estiver aprendendo alguma coisa nova com ele, eh claro!
Aprendi sem querer, que as coisas que para mim ja pareciam desvendadas e massivamente repassadas na verdade sao as que eu mais preciso me preocupar em mudar. Aquela historia de que o primeiro passo para o erro eh a certeza, realmente se encaixa nesse caso.
Aprendi o verdadeiro sentido da palavra cultura, e me senti um cara-de-pau por tantas vezes me julgar preparado para discutir sobre isso. E assim aprendi, que cultura nao se discute, se entende e se tolera, assim como comparacoes ridiculamente feitas ao acaso sem minima censura.
O Brasil nao eh o centro do mundo, muito menos os EUA, nem nenhum pais. Cada pessoa eh o seu proprio centro de mundo, e convivendo com pessoas tao distintas cheguei a crer que a Terra fosse quadrada, que a Internet fosse conto de fadas e que os satelites sao apenas brinquedos de gente grande. Cada habitante desse globo azul enxerga a sua visao, como que se cada nacionalidade e cultura fosse um oculos diferente do outro. Todos enxergam a mesma coisa, mas com angulos e cores diferentes. Eu sei que eu poderia falar tudo isso sem ao menos nunca ter saido de casa, mas agora faz sentido tudo isso, faz sentido a falta de sentido que acontece entre os mundos que habitam esse mesmo planeta que apesar de grande faz desses seres pessoas solitarias, cada qual com a sua imagem ficticia do mundo afora.
Senti todo o poder destrutivo da palavra SAUDADE e so nao entendi porque uma palavra dessas so existe na nossa lingua. Vejo todos os dias o olhar baixo de varios novos conhecidos que eu tenho certeza que entendem melhor do significado dessa palavra do que eu.
Tem gente que viaja por prazer, por experiencia, mas tem gente que viaja pra sobre(tudo)viver!
Tudo o que eu mais quero esta no mundo, nao numa cidade, nao numa esquina. Esta em todos os cantos do mundo aonde meus pes nao pisaram. 
To aprendendo, que daqui poco eu ja vou ter motivos pra negar tudo o que eu acabei de dizer, mas isso foi so a primeira de muitas impressoes que eu espero ter.

A frase que veio a cabeca semana passada depois de algumas conversas na cozinha do trabalho: "As pessoas mais interessantes que eu conheco tem mais de 40 anos e nao sabem o que querem da vida" 



Saudacoes revolucionarias! (como diria Ary)



terça-feira, janeiro 20, 2009

Bem-Vindo!

Hello stranger!
E sera uma nova caminhada, rumo ao desconhecido. Aonde o ceu sera doce.
Sem limites de inovacao, e o melhor, ser antiquado por intencao!
Chove hoje nesse dia, inaugural eu diria,
quem sabe mais adiante poderei ser um guia, sem caminho e sem direcao.
Apenas eu e meu caro convidado.
Sem fio, sem nada.